O sol saía da paisagem dos teus olhos e alimentava de luz os labirintos da cidade e a amanhã descansava na plenitude do teu colo morno. O tempo flambava os grãos das horas na circunferência inanimada dos relógios, enquanto pousado na varanda, um pássaro quebrava a vertigem do silêncio com seu canto metálico. Teus cabelos espalhavam cachos reluzentes no ar do instante seminal e tua boca cálida fabricava sorrisos. Tudo... apenas um sonho.
Todos os trabalhos postados neste blog são de autoria de Julio Rodrigues Correia e estão albergados pelos termos da Lei nº 9.610 de 19/02/1998 que regula o Direito Autoral no país.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
domingo, 29 de janeiro de 2017
QUASE PRELUDIO
Ah, essa chuva caindo e molhando o ventre da tarde, espalha angustia pelos labirintos da cidade.Véspera de noite. Crepúsculo. Os anjos da nostalgia já chegaram, todos, com suas asas de sombras , tisnando calçadas e marquises, onde um sol molhado tenta reaver seu ardor. Nas ínvias esquinas um vento úmido e travesso, borda as fimbrias do tempo e um pássaro em voo de regresso pousa suave na copa de um Ipê, esperando a noite definitiva chegar para o descanso de suas asas. Na parede da casa do silencio um relógio, absolutamente tirano, marca o tempo das idades sem nenhum remorso. Enfim, a noite se apossa definitivamente dos latifúndios da tarde e ninguém convidou a lua para um banquete de luz.
AS TRÊS ESTAÇÕES DO DIA
Manhã pejada de pássaros
em revoada, sem alardes,
o tempo constrói um céu azul
de vez em quando
emoldurado de brancas nuvens,
enquanto o sol mija nos pés da cidade.
A tarde colhe flores
num campo de margaridas, sem fim,
brisas fugidias de um rebanho de ventos
suavizam com sopro frios os jardins.
Chega a noite e derrama
falanges de sombras
pelos labirintos e ruas
e a lua chega mais tarde
e plasma uma imensa
cicatriz de luz
no ventre da cidade.
.
em revoada, sem alardes,
o tempo constrói um céu azul
de vez em quando
emoldurado de brancas nuvens,
enquanto o sol mija nos pés da cidade.
A tarde colhe flores
num campo de margaridas, sem fim,
brisas fugidias de um rebanho de ventos
suavizam com sopro frios os jardins.
Chega a noite e derrama
falanges de sombras
pelos labirintos e ruas
e a lua chega mais tarde
e plasma uma imensa
cicatriz de luz
no ventre da cidade.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
OCASO EM BELÉM
O pássaro pousa suave
num vinco da tarde,
o sol derrama seus poentes
sobre os telhados dos antigos
casarios
lá para os lados do Ver-o-peso
o rio castiga e lambe a ribeira
enquanto a cálida Belém.
vibra e respira a clorofila
de suas decanas mangueiras
num vinco da tarde,
o sol derrama seus poentes
sobre os telhados dos antigos
casarios
lá para os lados do Ver-o-peso
o rio castiga e lambe a ribeira
enquanto a cálida Belém.
vibra e respira a clorofila
de suas decanas mangueiras
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
CONTRARIANDO MANUEL BANDEIRA
.
Vou embora para Pasárgada,
mesmo não sendo amigo do rei.
Lá não precisarei de namorada,
pois levo daqui minha amada
que cheira a jasmim
e tem nos cabelos a rosa de verão.
Levarei comigo os adubos de minha alma
para ao lado de um campo de margaridas,
construir e fertilizar uma lavoura onde
semearei auroras e colherei sonhos.
Vou embora para Pasárgada,
mesmo não sendo amigo do rei.
Lá não precisarei de namorada,
pois levo daqui minha amada
que cheira a jasmim
e tem nos cabelos a rosa de verão.
Levarei comigo os adubos de minha alma
para ao lado de um campo de margaridas,
construir e fertilizar uma lavoura onde
semearei auroras e colherei sonhos.
domingo, 13 de novembro de 2016
PEQUENA PROSA POÉTICA DE PARTIDA
Quando partiste numa tarde grisalha de outono, levaste contigo tua pele onde, em noites de luas e estrelas, o meu silêncio pastava livremente. Na memória levaste a caligrafia de minhas mãos na superfície cálida e túmida dos teus seios e um breve poema tatuado na planície de tuas coxas. Guardo ainda, no meu coração, entre sístoles e diástoles, as cavalgadas que empreendemos pelas noites de amor tórrido sem restrições e pecados. Tudo isso levaste. E deixaste finalmente, em mim. um coração sangrando.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
CRÔNICA
Quando meu pai me disse, filho, vamos para capital, senti um vazio intenso percorrer as latitudes do meu corpo e penetrar no intimo de minha alma de menino. E ele foi mais taxativo, daqui a três dias. Eu iria deixar para trás todas as minhas referencias de vida. Sentei à beira do rio e revi seus magníficos rebojos, seus remansos, o vigor de sua correnteza indômita. No seu dorso aprendi a nadar e me extasiar com o salto de seus cardumes mostrando suas escamas para o sol, na época da piracema. Com água tirada de sua torrente fui batizado um dia. Olhei o vale, aquele pedaço de mundo verde e encantador da minha Amazônia, logo iria desaparecer de minha visão. Passei horas pisando na lama cinzenta da várzea, sentido seus ciclos e suas estações de onde tirávamos o alimento de nossas vidas, despedido-me de seu humus. Entrei na floresta e cânticos de pássaros me saudaram como se soubessem de minha partida. Eles que todas as manhãs me acordavam como sentinelas do sol. Do fundo da mata veio a sonata dos riachos e das cascatas e do brejo a sinfonia dodecafônica dos sapos atravessou meus ouvidos E num domingo de manhã, deixei o lugar onde nasci. E quando entrei no navio meu rosto já estava banhado em lagrimas e a saudade apertou-me o peito. Nunca mais voltei ao meu lugar
Quando meu pai me disse, filho, vamos para capital, senti um vazio intenso percorrer as latitudes do meu corpo e penetrar no intimo de minha alma de menino. E ele foi mais taxativo, daqui a três dias. Eu iria deixar para trás todas as minhas referencias de vida. Sentei à beira do rio e revi seus magníficos rebojos, seus remansos, o vigor de sua correnteza indômita. No seu dorso aprendi a nadar e me extasiar com o salto de seus cardumes mostrando suas escamas para o sol, na época da piracema. Com água tirada de sua torrente fui batizado um dia. Olhei o vale, aquele pedaço de mundo verde e encantador da minha Amazônia, logo iria desaparecer de minha visão. Passei horas pisando na lama cinzenta da várzea, sentido seus ciclos e suas estações de onde tirávamos o alimento de nossas vidas, despedido-me de seu humus. Entrei na floresta e cânticos de pássaros me saudaram como se soubessem de minha partida. Eles que todas as manhãs me acordavam como sentinelas do sol. Do fundo da mata veio a sonata dos riachos e das cascatas e do brejo a sinfonia dodecafônica dos sapos atravessou meus ouvidos E num domingo de manhã, deixei o lugar onde nasci. E quando entrei no navio meu rosto já estava banhado em lagrimas e a saudade apertou-me o peito. Nunca mais voltei ao meu lugar
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EROTICA
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